Preservação: a produção de carne e leite deve ser parte do processo Imprimir
Escrito por Administrador   
Qua, 02 de Janeiro de 2019 08:17

Conforme reportagem publicada no The Guardian “Se você quer salvar o mundo, o veganismo não é a resposta, por Isabela Tree”, ao contrário do que tem sido apregoado, que ambientalmente é melhor comer mais produtos feitos a partir de soja, milho e grãos cultivados industrialmente, estudos estão evidenciando que o ideal é encorajar o maior emprego de formas sustentáveis de produção de carne e derivados lácteos com base em sistemas rotacionais tradicionais, pastagens permanentes e pastagens para conservação. Deve-se, no mínimo, questionar a ética de aumentar a demanda por culturas que exigem altos insumos de fertilizantes, fungicidas, pesticidas e herbicidas, enquanto demonizam formas sustentáveis da pecuária que possam restaurar os solos e a biodiversidade e, especialmente, de sequestrar carbono.

 

No meio ambiente, os animais vivem em rebanhos naturais e vagam onde desejam. Eles chafurdam em riachos e diversos pontos que tenham água. Eles descansam onde gostam e comem o que lhes apetecem. O animas pastam em flores silvestres e gramíneas, mas eles também se alimentam de arbustos e árvores. Os suínos selvagens fuçam para encontrar tubérculos e até mergulham em lagoas. A maneira como pastam ou se agrupam estimula a vegetação de formas distintas, o que, por sua vez, cria oportunidades para outras espécies, incluindo pequenos mamíferos e pássaros.

 

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Ilustração: Matt Kenyon

O estrume que é gerado pelo gado alimenta minhocas, bactérias, fungos e invertebrados, como besouros, que arrastam o estrume para dentro do solo. Este é um processo vital de restauração do ecossistema, devolvendo nutrientes e estrutura ao solo. A perda de solo é uma das catástrofes que o mundo enfrenta hoje. Um relatório de 2015 da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação afirma que, globalmente, 25 a 40 bilhões de toneladas de solo arável são perdidos anualmente para a erosão, graças principalmente à lavoura e cultivos intensivos. No Reino Unido, o esgotamento do solo é tão intenso que, em 2014, a revista especializada Farmers Weekly anunciou que só restam 100 colheitas. O gado que pastoreia não apenas fornece aos agricultores uma renda, mas a esterco dos animais, a urina e até a maneira como eles pastam, aceleram a restauração do solo.

 

Este sistema de pastoreio natural não apenas ajuda o meio ambiente em termos de restauração do solo, biodiversidade, insetos polinizadores, qualidade da água e mitigação de enchentes, mas também garante vida saudável para os animais e, por sua vez, produz carne e leite de qualidade para o consumo.

 

O planeta evoluiu com grandes herbívoros - com rebanhos de auroques livres (a vaca ancestral), tarpan (o cavalo original), alces, ursos, bisontes, veados, veados, javalis e milhões de roedores diversos. São espécies cujas interações com o meio ambiente sustentam e promovem a vida. O uso de herbívoros como parte do ciclo agrícola pode ser um longo caminho para tornar a agricultura sustentável.

 

Muito tem sido feito das emissões de metano produzidos pela pecuária, mas estas são menores em sistemas de pastagens biodiversas. Na equação vegana, pelo contrário, o custo de carbono da lavoura raramente é considerado. Desde a revolução industrial, de acordo com um relatório de 2017 publicado na revista científica Nature, até 70% do carbono de solos cultivados foi lançado na atmosfera.

 

Portanto, há uma enorme dualidade: a menos que somente seja consumido produtos veganos especificamente de sistemas que garantam a biodiversidade, que o seja oriundo de um sistema que não participa ativamente da destruição da biota do solo, ou promovendo um sistema que priva outras espécies, incluindo pequenos mamíferos, pássaros. e répteis, das condições de vida, e contribuindo significativamente para a mudança climática e que permita que outros herbívoros também entrem nesta cadeia, pode-se dizer que se está protegendo o ambiente. No entanto, poucas são as áreas de produção que podem afirmar que atendem tais especificações, além, óbvio, do alto custo de manter um sistema complexo como este, sem explorar a pecuária de forma racional.

 

Isabela faz um relato de como transformou sua propriedade, que era intensamente explorada para o plantio e foi transformada com a utilização de pecuária extensiva. Hoje mantém rebanhos de corte, pôneis e cervos. A produtora enfatiza que os solos, que antes estavam quase mortos, agora possuem 19 tipos de minhoca e 23 espécies de besouros na área de pastagem. Isabela afirma que para se preservar o meio ambiente a produção de carne e leite deve ser parte do processo.

 

 

Última atualização em Seg, 19 de Agosto de 2019 10:34
 


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