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Que 2015 seja de mudança, focando a lisura e a responsabilidade PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrador   
Qui, 05 de Fevereiro de 2015 13:02

Entrando em um assunto polêmico: Fraude. Aliás, uma palavra que tem sido amplamente utilizada nos noticiários, de questões políticas a esportivas. Sendo a primeira sentença, mais intensamente debatida nos bastidores nacionais. Como estamos num espaço lácteo, vamos permear nesta seara. Será que já nos acostumamos ao problema?

 

As manchetes são recorrentes:

• PF prende funcionário de ministério envolvido com a fraude do leite

• MP combate nova fraude no leite com adição de água e sal

• Divulgados nomes de 11 empresas investigadas por adulteração de leite

• Quatro envolvidos na fraude do leite são presos no norte do Estado

• Operação Leite Compen$ado descobre ramificação da fraude no Paraná

• Deflagrada fraude em leite em Santa Catarina

• Quatro laboratoristas são presos por fraude no leite... e, por aí vai...

 

Antes, nas primeiras grandes fraudes que foram descobertas, as piadas, charges e notícias eram frequentes. As minhas timelines, de redes sociais, foram inundadas com os chistes e sátiras, além de outros me consultando quais os produtos saudáveis para o consumo. Atualmente, as fraudes são descobertas e fazem tanto sucesso quanto a nova edição do BBB. Ou seja, quase não tem repercussão entre os cidadãos. Mesmo tendo criado desconfiança do consumidor, não gera tantas polêmicas.

Apesar disso, as consequências estão sendo nefastas para diversas pessoas, muitas das quais não tinham nenhum envolvimento ou conhecimento de tais iniquidades. Em outra premissa, o Ministério Público, (MP) comprovou que em vários casos o leite já saía adulterado da propriedade rural. Evidenciando que a capilaridade do problema vai muito além do transporte e processamento, como sempre acusados.

 

Provavelmente, caso outras ações fossem realizadas com o mesmo rigor, muitos outros escândalos seriam descobertos, em várias regiões do Brasil.

 

Como solucionar?

 

Sem dúvida, não deve existir uma resposta pronta e efetiva para o problema. Ele está permeabilizado por entranhas de difícil acesso, começando pelo comportamento, cada vez mais frequente, do conceito de sucesso em “se dar bem”, mesmo que para isto você tenha ultrapassar os limites legais e do bom senso.

 

Para mitigar este processo, já sistematizado destas fraudes, a mudança deve acontecer em todos os elos. Sabidamente, o encadeamento do setor lácteo é de difícil integração, com rusgas que contam com décadas de discordâncias. Mas que, enquanto não houver coerência e a busca da conciliação, os problemas vão se avolumar. Aliada a esta interação, uma mudança de conduta deve ser imperativa, nos distintos indivíduos que compõe o setor.

 

Infelizmente, o cenário que nos descortinam, pelos “belos” exemplos que vemos diariamente nos jornais, vindo das inúmeras denúncias de corrupção, não parece muito promissor. Por outro lado, enquanto não houver um início desta mudança, nunca almejaremos um setor produtivo realmente competitivo e forte.

 

Este profissionalismo, que deve ser impresso da cadeia produtiva do leite, tem que ser baseado, primeiramente, na ética. Por exemplo, o técnico que assiste a propriedade, ou aquele que desempenha um papel de consultoria, não pode ser permissivo com condutas inadequadas. Parece estranho citar algo assim, mas já presenciei treinamento, com foco na garantia da qualidade, em que o instrutor indica “arrumar” alguém que assine a responsabilidade da prescrição. Ou seja, ele preconiza a fraude, sendo que estávamos lá exatamente para combater esta prática. Mesmo sendo arguido pela conduta inadequada, ele reiterou que não haveria problemas, desde que existisse uma assinatura.

 

Felizmente, neste caso que citei acima, vi uma indignação de muitos dos presentes. Por outro lado, outros treinandos não se aperceberam do absurdo que havia sido recomendado. Isto demonstra que ainda estamos vivendo a cultura do jeitinho.... Para ser realmente profissional, o jeitinho não deve ser uma ferramenta disponível.

 

Aparentemente, ainda estamos em uma fase de aceitação e permissividade, assim como de maquiagem dos fatos. Enquanto estes eventos acontecerem, e a raiz do problema não for efetivamente combatida: o “levar vantagem” e o “faz de conta que faço” continuar imperando, não conseguiremos aplacar o cerne da questão debatida.

 

Com certeza, nada simples a ser feito. Muitos atores e cenários distintos, mas passa exatamente pela responsabilidade e pelo comprometimento com as atividades que são realizadas. Começando em cada individuo que compõe os distintos elos da cadeia de produção, do produtor: com o compromisso de sanidade e qualidade do leite a ser entregue; ao fiscal, que deve atuar com lisura seguindo os preceitos e conceitos técnicos requeridos pela atividade.

 

Queremos mudanças no cenário político brasileiro. Muitos bradam por ética e responsabilidade. Para exigirmos isto, temos também que fazer nossa parte.

 

Última atualização em Qui, 26 de Março de 2015 11:33
 


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